quarta-feira, 1 de junho de 2011

Para Lembrar.

Quando eu  me sujeito a sentir saudades e, nelas, te amar, me dói cada fio de tudo o que me faz.
De quando me lembro, sentada, amarrotada em qualquer canto, da casa ou da praça - que tanto quis te mostrar - e lembro de toda excitação do antes, da espera, dos vários anos afastadas. Logo me vem o deleite, a amabilidade, meu fascínio por ti que não passa e que nem quero que passe. As doçuras e teus mimos que nada apaga do corpo, da pele. Dos encontros pela manhã. A cada dia uma surpresa, um tipo de amor e de apego. Me vem você, com seu sotaque e seu perfume que grudava em mim pela noite, me acordando com um beijo.
Você me enche os olhos. Você, que eu não esperava encontro ou reencontro, encheu meu corpo de beijos e nomeou tres pintinhas que fazem morada nele. E ficou combinado: a cada encontro mais tres sairiam batizadas. Agora minhas pintinhas anônimas vivem cheias de ciúmes destas únicas por ti chamadas. 
Você me encheu com o seu amor e, na distância, eu me desacostumei com o pouco, com os outros, com o que eles pensam que podem causar em mim sem alcançar nem um ponto onde tocastes.
Certo dia você me disse, e bem lembro, que ainda guardava esperanças em nós. Você já estava em outra. Eu sou feita de esperas. E lembranças. Um pouco de tristeza, tão dolorida! Um pesar. Vem-me uns suspiros e queixumes por temer.
Peço para que meu lamento cesse. Sem esquecimento. 
Quero-te perto para poder te lembrar todos os dias.

 

2 comentários:

Julia Malaguti disse...

Queria poder te fazer um cobertor de lembranças, momentos doces, para que dormisse agarradas a eles. Talvez ajudasse com a saudade.

Tamara disse...

Nossa! Que texto lindo e sensível.