segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sobre Uns Bilhetinhos Que Se Perderam.

Doce,

estou saindo e deixando espalhados pelo apartamento bilhetinhos em tons pastéis, coisa de gente apaixonada. Faço isso porque não sei quando volto a te ver. Aliás, nem te vi e já estou aqui, pensando em uma forma bonita de despedida que te faça me querer pra sempre. Sem motivo, sem porque, sem saber nem de onde veio. Uma vontade de querer ser de alguém que não qualquer um. 

Se o descrevesse, esse doce que me faz querer entregar a minha alma, a minha vida e o meu coração que há tempos atrás arranquei e que, como mágica, milagre, coisa divina que não se entende ou simplesmente regeneração por um pedacinho pequeno que ficou esquecido, se salvou e cresceu, cresceu, cresceu e não tem cabido em mim. Porque bate, porque pulsa, porque sinto. Porque já não sou vazia e, não o sendo, mesmo nessa distância incansável, incurável, inaceitável eu corro. Corro contra o tempo, contra os quilômetros, contra o que eu tinha pensado que seria agora: eu, sozinha, seca, fria, dura, pedra, amarga. E, veja bem, olha pra mim, uma mulher sendo doce, chorando em filmes, querendo viver aquilo que assiste, tentando beijar a tela, abraçar o computador, a televisão, minha mãe, meu cachorro, o liquidificador tudo na esperança de suprir a falta do abraço desse alguém de cabelos castanhos, pele branca, os olhos um tanto puxados e pequeninos, o nariz bem feito, os dentes alinhados e brancos e a boca! meu Deus!, é impossível não amar aqueles lábios que me pedem beijos e que eu não posso os dar. Impossível não citá-los em cada carta, em cada texto, em cada frase em que eu falar nele. Eu, uma mulher apaixonada. 

Esqueci o que passou como uma amnésia que tomou conta. Não entendi o que motivou-me à isso, mas sei que mal não me fez. Esquecer nem sempre é triste nem precisa de outra pessoa para que aconteça. Foi-se o tempo em que substituir era bom, saudável nunca foi. Guardo as coisas boas, sem ter vontade repeti-las. Quero o novo. Quero o bom, quero os nomes mudados, quero as frases bem ditas, quero as indicações de filmes, livros, gostos, posições. Quero do amor ao sexo. Quero tudo, e tudo perto.


Já sei a flor, a cor, o nome, sobrenome, a letra, a voz. Sei do que sinto por ele mas não sei do que sente por mim e tanto faz desde que eu consiga aflorar algo bonito e querido. Sei do que tenho vontade, do que tenho saudade (que ainda nem se tornaram reais) e do que me faz falta. Sei do quanto vou chorar e do quanto irei sorrir. E tenho a certeza da vontade que eu tenho de não deixar que nunca mais morra o que tem morado em mim...


...por ti.

Um comentário:

Julia Malaguti disse...

paixão quando bate é tão bom, dá essa vontade de viver de novo.
muita sorte pra voce, meu amor.