sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ao Esquecimento; Aquecimento.

"En esta hora recuerdo a todo y todos, intensamente, imerso nas regiões que - sonido y pluma - golpeando un poco, existem mais além da terra, pero en la tierra. Hoy comienza un nuevo invierno."
                                      

Eu o amava como quem perde o rumo. Andei sozinha para encontra-lo e não o achei. Era dia de festa e todos faziam oferendas à mãe dos mares. Todos rezavam, hipócritas, e pediam em suas preces sem fé. Eu só queria me encontrar, mas era tanta areia, era tanto mar que eu já não sabia mais onde me afogava. Ela tomava conta de mim.


Eu tô viva, cara. Eu tô viva! Só tô um  pouco cansada. De te procurar, de não me encontrar. Quem se encontrou? Eu só fugi por isso. Você sabe o caminho. Você já até sabe meus pontos - os fortes, os fracos. Porque você sabe que eu sonhei e que no sonho eu sonhava você. 
Você: cabelos grisalhos, já quase brancos, mas sempre bem ajeitados. Um amor perdido há tanto tempo... porque você resolveu me abortar de você e nós éramos perfeitos. Ninguém aceita, ninguém quer e agora eu tô viva. Eu tô viva e cansada. Cansada de ser descartada, de ser simples para os que anseiam complicação. Correndo na chuva, mas não da chuva. Quem aqui acreditou no amor? É loucura. É? É demais. Você está lindo e eu, eu estou tão velha! Continuo só, prestes a virar a esquina e te desencontrar de novo. Você não deveria me deixar ir. Eu sou capaz. Eu fui. Eu quis amar. Querer é sempre o ponto inicial e, meu Deus!, como eu quis. Amar você, amar alguém, amar de corpo, de alma, amar nas palavras, na lama, no breu, na voz, no fundo, profundo.
Eu não gosto da palavra amor: bonita e cheia de sentidos. Amor: a palavra que todos sabem, que todos entendem. O grande mal, Lúcifer, cheio de demônios, cheio de não-me-toques, cheio de quimeras. Te promete o mundo e te dá um balde: de água fria! Onde foi parar a excentricidade da palavra? Do sentimento? Do amor? Eu não gosto da palavra, mas amo.
Agora, exatamente agora, meu pranto secou. Melou meu rosto, salgou meus lábios. Minha dor, veja só, tem me revelado caminhos - felicidade ou tristeza - pra que cesse esse vazio, para que filtre essa droga toda. 
Sou drama e não comédia. Queria, como queria!, como quis e não falei, não gritei, não escrevi. O amor já me dá medo. Esse carinho todo me amedronta e cá estou eu: quieta, encolhida, drogada, bêbada, usada e amando. Escolhida por esse demônio, por essa palavra, por esse maldito sentimento ruim. Ruim agora, doce depois. Ou seria o contrário? Amando quem quiser me amar. Amando quem queira arriscar. Porque o amor, acima de tudo, é o risco. É se jogar de um precipício de mãos dadas e larga-las pra ver se, mesmo assim, chegamos juntos ao final, ali, nos amando. Ainda.
Eu, vestida de branco, mergulhando num mar sem fim, indo junto com o barco, sendo levada pelas flores. O meu pedido foi ser amada sem medo e sem saber que o estou sendo. O meu pedido foi esquecer essa palavra pra poder viver o sentimento.


"Não há nesta cidade, en donde está lo que amo, não há pão nem luz: un cristal frío cae sobre secos geranios.
Sol pobre, sangue nosso perdido, corazón terrible sacudido y llorando. Lágrimas como balas pesadas."

5 comentários:

Liana disse...

Tua dor me assusta. Dores dos amores não correspondidos. Todos os amores que jogastes fora, pequena. Todos eles. Todos.

Liana disse...
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marcio markendorf. disse...

assim como os fariseus rezam sem fé na beira no mar, entregando oferendas, não está você também sem fé nessa palavra que virou apenas um ritual? amor. pra quê?

lululul disse...

Esse amor é feio, tem cara de vício...
Esse amor é isso, tem cara de bicho, por deixar meu bem jogada no lixo.
Esse amor é sujo, tem cheiro de mijo, ele mete medo, vou lhe tirar disso!
O amor é lindo...
Faz o impossível, o amor é graça, o amor é livre.

Agatha. disse...

Quem acreditou?