terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Desesperança.

Eu estou aqui falando com você e não que você seja alguma inspiração porque você não é mas me traz as palavras porque me instiga e me pergunta as coisas que eu preciso ir lá no fundo buscar junto com as coisas que eu sinto pra tentar te explicar o que é isso que você tá quenrendo saber. Veja bem: você me perguntou sobre as minhas alergias e mal sabe você que, meu Deus!, quantas alergias eu tenho e que até de você eu devo ter porque eu não quero chegar muito perto ou me aproximar com medo de alguma reação nas minhas entranhas. Você é lindo, lindo de doer!


Hoje lembrei do natal do ano passado em que eu enchi minha mão de coisas que eu nem lembro o que eram e enfiei tudo goela abaixo porque eu me sentia e estava sozinha. Eu me lembrei disso enquanto esperava o ônibus porque uns dias depois eu esperei por ele e entrei nele e fiquei louca e meu olhar estava perdido e uma pessoa perguntou se eu estava bem e eu não estava mas disse que sim e eu falava arrastando tudo e eu havia quebrado a casa inteira e você nem soube disso e você nem sabe dessa parte esquisita da minha vida porque eu não falo disso com ninguém. E então eu saí por aí, perambulando, porque eu tinha que buscar alguma coisa e fui assim: pupílas dilatadas, olhar perdido, mãos suando, corpo frágil. Eu estava tão magra! Você nem imagina como eu estava doente por dentro. Tudo doía e eu queria morrer e não conseguindo nem isso nem esquecer mesmo com todos aqueles remédios eu continuei e caminhei até aquele espaço pra buscar alguma coisa que eu penso que era um presente afinal era natal. Um presente pra um passado. E eu queria um amor. E eu pedi um amor e não ganhei. E na virada de ano... eu vou deixar essa parte pra te contar depois porque eu não quero me precipitar nem te assustar então eu vou continuar com o natal. Dias depois eu ainda estava dopada, chapada. Eu não sei quanto tempo eu fiquei naquele estado mas quando eu voltei alguém havia quebrado a casa inteira: cozinha, banheiro, meu quarto! Estava tudo quebrado e eu não lamentei nada porque de nada adiantaria e eu só chorei porque eu tinha feito aquilo e pedi pra que a minha mãe deitasse ao meu lado enquanto lembrava que você tinha saído pela porta me deixando mais sozinha ainda. Você que nem existe mais e que também nem me inspirou. Mas o pior: você que nem conversava comigo e nem sabe das minhas alergias. Eu fiquei muito sozinha naquele natal e eu fiquei sozinha pro resto dos dias e da minha vida porque você não existia pra mim, mas só em mim e me doía feito espinhos saltando pra fora. Você me doía como doeu eu ter que sair do casulo. Você me doía porque me machucava e me enforcava e a única coisa que você sabia me pedir... era foda! E eu fiquei sozinha no mundo sem você e sem a única coisa que eu pedi.
Eu perdi.

6 comentários:

Agatha. disse...

"Não se afobe não, que nada é pra já."

Bianca B. disse...

"Amores serão sempre amáveis."

M. disse...

O teu sorriso é tão bonito que eu passo a achar injusta qualquer coisa que te afaste dele.

Fabianny disse...

Ah a gente sempre tá sozinha. Às vezes temos a ilusão que não. Deveria doer menos perder essa ilusão.

Julia Malaguti disse...

Você não perdeu, ganhou ser você.
Querida, doce, linda, triste, sozinha e, especialmente, amada.

Sunflower disse...

Você sentia que estava sozinha, pelo menos, você sentia.